Erros e arrependimentos: muito peso e poucas medidas.

Quanto mais pensamos nas possibilidades que os diversos caminhos que podemos tomar nos oferecem, mais perto estamos de enlouquecer, pois, ao idealizar “e se” por tantas vezes, colocamos nossa sanidade em xeque por imaginar desfechos irreais.

Ninguém está livre do arrependimento. Um ser humano é, por natureza, uma criatura fluída, que está em constante mudança e adaptação. Quando precisamos decidir sobre algo, fazemos com base em quem somos no momento em que nos vemos dentro de uma situação que nos deixa divididos. Ora, você, aos 40 anos, não faria as mesmas escolhas de quando tinha 20, e quem dera termos a maturidade dos 40 ao fazer escolhas com 20, não é mesmo? É uma diferença de personalidade muito grande dentro de uma mesma pessoa.

Pesquisas apontam que o maior arrependimento das pessoas é, disparado, com relação à educação; queriam ter investido mais nos estudos. cursado o que realmente gostavam ou ter tido mais coragem para desistir antes de um curso que não gostavam. Em segundo lugar, estão as decisões sobre a carreira e somente em terceiro lugar estão as decisões românticas. A interação social e o cuidado com a saúde são os que menos apresentam sinais de arrependimento.

Focamos tanto em sermos bem sucedidos, aumentar o poder aquisitivo, ter uma vida melhor e poupar para o futuro que quando aparece uma oportunidade de investimentos ou de ter o próprio negócio, demoramos tanto para decidir que essa onda pode passar. Com muito suor e dedicação se construiu o que está ao seu redor, tornando muito mais difícil arriscar e botar a perder tudo o que foi conquistado. O arrependimento sobre assuntos financeiros sequer tem índice suficiente para ter relevância nesta pesquisa. Então, por que nos preocupamos tanto? A experiência, por si só, já basta para valer a pena.

Tomar a decisão correta depende muito de quem você é no momento. Negar o ocorrido, torturar a si mesmo com pensamentos do tipo “como eu pude fazer isso?” e punir a si mesmo quando algo dá errado em consequência de uma escolha são as principais características de do arrependimento. E isso faz parte, porque a gente muda o tempo todo, e está tudo bem. Podemos desfazer muitas coisas, voltar atrás em decisões, mas tem coisas que não podemos controlar, principalmente quando envolve ou depende de outras pessoas.

Aprendemos desde cedo na escola que tirar notas ruins e fazer coisas erradas é típico de pessoas preguiçosas e irresponsáveis, e que o segredo para o sucesso é não cometer erros. Isso leva a crer que a escola pode ser uma linha de produção de pessoas perfeccionistas que estão sempre falhando e começam a ter crises de ansiedade ao menor sinal de estarem cometendo algum erro. Com isso, passam a não enxergar a realidade, e em vez de perceberem que o problema é naquele erro em específico, começam a achar que o problema está em si mesmo. Nós evitamos pensar que podemos estar errados apesar de achar completamente aceitável que erros sejam cometidos, contanto que sejam por outras pessoas. Por que estamos presos ao sentimento de estarmos sempre certos quando a probabilidade maior é de estarmos errados ou de mudar de opinião?

Apesar de gostarmos de prever as situações, nós adoramos finais inesperados, reviravoltas, torcemos para algo acontecer ou para que algo não aconteça. São situações em que adoramos estar errados. Criamos desfechos e finais para histórias de acordo com o que achamos, no momento, que seria a melhor alternativa e aí vem a vida e nos surpreende, seja ensinando uma lição ou apresentando uma opção que não havia sido cogitada. Isso porque a capacidade de não entendermos algo corretamente e achar que estamos com a razão é tão grande que automaticamente presumimos que estamos certos. A forma como você reage quando não compreende alguma coisa – qualquer coisa – diz muito a respeito de como você lida com escolhas e quanto tempo demora a perceber que está errado, pois isso influencia diretamente na sua atitude ao tomar uma decisão. O sentimento de estar certo é suficiente ou precisamos necessariamente descartar a possibilidade de estarmos errados?

Como conviver com um erro tão pequeno mas que define, por exemplo, o nosso futuro profissional? Algo dito de forma inoportuna ou responder um email clicando no “responder para todos” pode facilmente minar os seus planos dentro de um ecossistema empresarial por menos competitivo que ele seja. Os arrependimentos podem não ser tão graves e seus erros podem não ser tão grandes quanto você imagina. Aceite as escolhas, e aceite também as falhas.

A obsessão em estar certo é a raiz de toda ansiedade, fazendo-nos buscar a qualquer custo o menor sinal que indique algum vestígio de razão. E nem sempre se trata de ter cometido um erro, mas apenas de não ter feito melhor, muitas vezes estando sem saber se é pior ter a certeza de que está errado ou de repente perceber que está errado. Podemos remoer o passado ou planejar o futuro, mas nesse meio, precisamos ser resilientes para levar a vida com leveza, afinal, conforme os anos passam, nos importamos menos com o que as pessoas pensam e as possibilidades que nunca serão vivenciadas. Tenha suavidade para lidar com o que você não pode controlar, afinal, você pode estar errado até sobre si mesmo.

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