Quem criou a principal característica do profissional do futuro?

Como obter êxito profissional se você está sendo constantemente julgado pelas relações interpessoais apesar de ter sido contratado pelas suas habilidades técnicas? Como lidar com o sentimento de merecer uma promoção e sentir escapar por entre os dedos por conta de uma habilidade que você não tem e não é exigida em sua função?

É impossível que a meritocracia funcione 100% dentro qualquer empresa. Todos os processos seletivos incluem o fator humano, tornando esse tipo de avaliação passível de decisões que vão muito além das capacidades técnicas de uma pessoa.

Especialistas afirmam que investir nas relações humanas é, desde sempre, uma ferramenta fundamental para conseguir destaque e ascensão social em qualquer ambiente onde relações humanas estejam presentes. O ambiente corporativo é, por si só, um ecossistema que pode variar de uma empresa para outra de acordo com os vários códigos – dentre eles o dress code que dita as regras de vestimentas adequadas para a empresa, por exemplo – que podem ser impostos tacitamente ou estarem expressos no regulamento interno.

As chances de ascensão profissional para cargos de alto escalão dependem de dois fatores: da sua performance e da sua interpessoalidade. A performance é medida de acordo com a execução do trabalho e se este é entregue com um algo a mais. Tendo uma boa performance, você já será notado, criará uma reputação e poderá receber um aumento de salário ou até mesmo uma promoção de cargo. Mas, mais do que isso, poderá te dar um padrinho. O investimento que você faz nas relações humanas, cativando, comunicando-se e fazendo-se notar como indivíduo é o que conhecemos por interpessoalidade, ou seja, a capacidade de relacionar-se com outras pessoas. Não dá para sair por aí pedindo para gostarem de você, e conectar-se com as pessoas dando-lhes a oportunidade de te conhecerem é a única forma de fortalecer essa competência. Se você tem uma boa performance e um bom relacionamento com os colegas de trabalho, é muito provável de que, ao pedir para que alguém te apadrinhe, a pessoa aceite.

Mas por que você precisaria de um padrinho? A meritocracia é falha exatamente por causa do sistema de apadrinhamento. Supondo que você esteja almejando uma vaga no alto escalão e tem um concorrente com as mesmas habilidades técnicas, o ocupante da vaga será a pessoa que tiver um padrinho, pois ele já é do alto escalão, tem poder de decisão e vai intervir pelo seu apadrinhado. Caso os dois concorrentes tenham padrinhos, o que tiver o mais poderoso triunfará.

Um padrinho em potencial tem uma cadeira na mesa redonda, tem poder de decisão na empresa e tem voz para expor o seu trabalho. Para pedir apadrinhamento, seja claro no seu objetivo, diga que é bom no que faz e mostre resultados. Ressalte que esta pessoa já te conhece, o que torna mais fácil interceder pela sua escolha. Caso a pessoa negue, pode ser que ela não goste de você ou não tenha poder de decisão e não quer admitir. Aí não há o que fazer a não ser buscar outra alternativa de pessoa para ser seu padrinho.

Você pode até ter um cargo estável em uma empresa, mas não vai subir para o patamar mais próximo da ponta da pirâmide se não tiver um padrinho. Se você puder apadrinhar alguém, use seu poder para ajudar quem você acha que merece, pois os julgamentos são injustos e feitos por pessoas que não conhecem bem todos os integrantes do quadro. É claro que é muito mais cômodo indicar alguém que se conhece melhor, diminuindo assim o risco de dar um tiro no próprio pé. Afinal, até que o apadrinhado prove seu valor, ninguém quer criar problemas para si mesmo e levar o peso de uma indicação furada, não é mesmo?

Sendo assim, será que o apadrinhamento corporativo estimulou a criação da principal característica do profissional do futuro? Não seria errado presumir, pois as necessidades técnicas mudam a todo instante com a tecnologia em constante evolução. Robôs, máquinas e computadores estão substituindo a mão de obra humana, e nem de longe se tem ideia de quando algo poderá substituir as relações. A inteligência artificial já mostrou que pode mudar completamente a forma com que lidamos com as coisas e as pessoas através de dispositivos eletrônicos, mas nada se compara ao poder do afeto, apreço, admiração e estima.

Timidez, insegurança, introversão e até mesmo a depressão podem influenciar na forma como você é visto, tratado e reconhecido. Todos nós sabemos quais são os pontos fracos e os fortes que possuímos. Quando a deficiência é técnica, buscamos aprimoramento, cursos, palestras, workshops e seminários. Por que não buscar essas mesmas ferramentas para aperfeiçoar a forma como construímos nossa imagem social? Invista nas relações humanas. Pelo menos enquanto ainda somos humanos o suficiente.

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